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Cruzeiro anunciado como ''exclusivamente para britânicos'' levanta ondas de polémica

Especializada em serviços para clientes com mais de 50 anos, a empresa Saga viu-se envolvida numa polémica nacionalista: uma brochura prometia viagens de cruzeiro exclusivas para britânicos e levou várias pessoas a queixarem-se da empresa. A Saga já remeteu as culpas para um parceiro de reservas de cruzeiros, a cruise.co.uk. 

The Guardian noticia que a polémica começou quando um utilizador do Twitter, Anthony Bale, professor universitário, publicou a capa da brochura, recebida pela sua mãe, referindo que esta ficara “indignada” ao ver a chancela “exclusivo para britânicos”.

“Será legal?”, terá perguntado a cliente, Ruth Bale, de 75 anos, ao filho após ver a revista, que também indica “exclusivamente só para adultos” e “exclusivamente só para maiores de 50” na capa. 
 

“Esta não é uma brochura da Saga”afirma a empresa numa resposta oficial dada a Anthony Bale no Twitter – e que, por sinal, se segue, menos de uma hora depois, ao jornalista do Guardian Rob Davies manifestar interesse na história e em falar com Bale e a sua mãe. “O nosso parceiro, cruise.co.uk, está extremamente arrependido por qualquer ofensa ou imprecisão que a sua brochura tenha causado”. 

 

A empresa acrescenta ainda que “que os cruzeiros Saga partem todos do Reino Unido, mas que damos as boas-vindas a toda a gente, de todas as nacionalidades”. E aqui realçam o detalhe do seu público-alvo, já que “jovens” é que não: desde que tenham “mais de 50 anos”. Assinale-se que, por outro lado, a companhia no site da Saga Cruises realça o seu estatuto de “refinada companhia britânica de cruzeiros” ao lado da bandeira do Reino Unido.

Ao jornal de viagens britânico TTG, dirigido aos profissionais da indústria de turismo, a Saga precisa que o erro de interpretação por parte do parceiro cruise.co.uk (que ainda não tinha comentado o caso) estaria no facto de, nos textos originais da empresa, se indicar que os “cruzeiros partem apenas do Reino Unido”, e que terá havido uma interpretação incorrecta, originando um fraseamento igualmente incorrecto.

A cliente na origem da polémica, porém, considera que o uso na capa do slogan teve outras pretensões. Ao Guardian, a sra. Bale comenta que considerou “triste” ver que a dita frase, relativa a “uma nacionalidade”, fosse encarada como “um ponto relevante de marketing”. “É terrível” que seja “algo aceitável para se dizer”, comenta, acrescentando: “É diferente de como as coisas eram”, presumindo-se uma referência à era pré-"Brexit”.

E até colocava uma questão muito relevante, tendo em conta que as equipas que trabalham nos cruzeiros são de dezenas de nacionalidades — no caso, é até referido o exemplo de muitos trabalhadores filipinos: “Será que os trabalhadores [destes cruzeiros] também vão ser todos britânicos? Quão longe irão levar isso de ‘exclusivamente para britânicos?’. E rematava: “É o fanatismo que agora tem uma voz e nós temos de dizer algo. Não está certo”.

O jornalista que assina a peça, aliás, também destaca precisamente esse detalhe no seu Twitter: “O mais impressionante é que pessoas especialistas em marketing tenham pensado que brits only era um fantástico detalhe comercial que faria as pessoas abrirem as suas carteiras”. A Saga, prossegue o jornalista, “diz que não o escreveu, mas realmente devem ter a última palavra em documentos com a sua marca”.

publico.pt