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Portugueses no Reino Unido criam petição para que sejam dispensados de quarentena no regresso a Londres

É Joana Ribeiro, enfermeira, a viver há quatro anos em Winchester, no sul de Inglaterra, a primeira signatária da petição “Permita que os imigrantes visitem as suas famílias”.

Depois de o Reino Unido ter decidido manter Portugal de fora dos corredores aéreos - o que obriga os portugueses que venham às origens a fazer quarentena quando chegarem a Inglaterra -, Joana lamenta que o governo português continue a preocupar-se apenas com a economia.

“A reação portuguesa foi evidentemente de preocupação com o turismo, sobretudo do Algarve, mas tiveram muito pouca ou nenhuma preocupação com os portugueses residentes no Reino Unido. O que acontece neste momento é que para viajarmos precisamos de ficar de quarentena no regresso. Os nossos empregadores não são forçados a permitir uma quarentena de 14 dias a quem viajou e muitos de nós não temos dias de férias suficientes para visitar Portugal e ainda poder cumprir quarentena no regresso.”, critica.

Embora o governo britânico tenha criado uma lista com algumas exceções de viajantes que ficam isentos de cumprir quarentena, - como é o caso de pessoas que vivam no Reino Unido, mas que trabalham noutro país e precisam de viajar pelo menos uma vez por semana - Joana lamenta que visitar a família não seja considerada uma prioridade.

“Eu entendo que viajar para fazer férias no Algarve não seja essencial, mas visitar a família, para muitos de nós, é. Custa-me que nenhum dos governos tenha espaço para isso nas suas agendas. Nem o governo de Inglaterra, nem o de Portugal. Conheço muitos outros casos de portugueses no Reino Unido que estão nesta situação de frustração. Tenho muitos amigos portugueses que vivem cá e já não vão a Portugal desde 2019, como é o meu caso. Entretanto, alguns tiveram filhos aqui e estão impedidos de viajar para visitar os avós dos bebés, para visitar a família e muitos deles são profissionais de saúde e têm estado na frente de combate da pandemia.”

Na esperança de que as empresas pudessem ser sensíveis a estes argumentos, alguns portugueses a viver no Reino Unido contactaram a entidade empregadora, no sentido de não cumprirem quarentena no regresso. No entanto, receberam a notícia que caso não o fizessem, seriam penalizados.

“Tenho colegas que expuseram a situação aos Recursos Humanos das empresas onde trabalham, e não foram autorizados a viajar sem cumprir a quarentena no regresso. Dizem que pode existir um processo disciplinar se o fizerem. E o que me assusta é que havendo uma segunda vaga de Covid, uma possível segunda vaga, nós não sabemos quando é que vamos poder visitar Portugal”.

Admitindo que “as saudades já são muitas”, Joana decidiu criar um abaixo-assinado para que o primeiro-ministro português ou o Presidente da República atuem, apelando ao diálogo entre governos.

“O que pretendo com a petição é que haja diálogo entre governos para permitir que os imigrantes no país possam visitar o país de origem. Nem sequer escrevi a petição em português, escrevi em inglês para poder incluir outras nacionalidades também."

"A Inglaterra nem sequer tem tido um desempenho exemplar - pelo menos não tanto quanto Portugal no combate à pandemia - e esta decisão de não incluir Portugal na lista de exceções não nos pareceu de todo justa", reforça.

Joana Ribeiro acusa ainda a embaixada de Portugal no Reino de não ajudar os portugueses, nem antes nem pós-pandemia.

“Temos tido dificuldade em contactá-los para renovar documentos de identidade, por exemplo. Já tentei por e-mail, enviei um e-mail no dia 15 e ainda não tive resposta. Também já tentei por telefone. E li comentários num grupo de portugueses no Reino Unido a queixarem-se do mesmo. E a verdade é que já antes da pandemia, muitos de nós fomos obrigados a viajar para Portugal quando precisámos de algum serviço deste género (de renovação de cartões de identificação ou pedido de certidões). É claro que neste momento não podemos viajar, portanto a embaixada tem de dar forçosamente uma resposta e parece que não está a dar”, conclui.

rr.sapo.pt