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Bruxelas mantém previsões de crescimento do Reino Unido apesar do ‘Brexit’

Bruxelas manteve a perspetiva de crescimento do Reino Unido para este ano, notando, contudo, que as previsões divulgadas esta quinta-feira são baseadas numa “mera assunção técnica” devido à incerteza sobre a futura relação entre este país e a União Europeia.

Nas previsões económicas de outono, hoje divulgadas, a Comissão Europeia considera que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no Reino Unido se mantém “resiliente, mas modesto” e prevê que este evolua a “um ritmo amplamente estável”, fixando-se nos 1,3% este ano, como já havia sido projetado nas estimativas de verão.

“O ritmo do crescimento económico tem sido volátil em 2019. A armazenagem [de produtos] e outras ações empreendidas pelas empresas britânicas, para prevenir uma eventual saída desordenada do Reino Unido em 29 de março, impulsionaram temporariamente o crescimento no primeiro trimestre do ano […]. No entanto, o PIB real desceu 0,2% no segundo trimestre, maioritariamente devido a um movimento contrário resultante da atividade mitigadora anterior”, observa o executivo comunitário.

Bruxelas dá conta que a resiliência do crescimento económico do Reino Unido assenta na procura interna, com o consumo privado a ser suportado pela “forte subida nos salários reais”, e no forte investimento público, mas alerta que a evolução do investimento empresarial permaneceu fraca, devido à incerteza quanto “à natureza e ao timing” do ‘Brexit’.

“Dado o processo de ratificação do Acordo de Saída revisto ainda em curso, e a incerteza quanto à futura relação económica entre a União Europeia e o Reino Unido, as projeções são baseadas numa mera assunção técnica do ‘status quo’ em termos da relação comercial entre a UE e o Reino Unido. Esta acontece apenas para efeitos de estimativa e não terá influência na negociação da relação futura entre as partes”, ressalva o executivo.

Tendo em conta o impasse do ‘Brexit’, novamente adiado até 31 de janeiro, e baseando-se apenas na já referida suposição técnica sobre a futura relação, a Comissão Europeia prevê um crescimento de 1,4% do PIB britânico em 2020, uma revisão em alta de uma décima relativamente às projeções de verão.

“Em 2020, a manutenção do crescimento dos salários reais e uma política orçamental expansionista deverão impulsionar o crescimento do consumo privado. A projeção sobre o crescimento do investimento empresarial permanece moderada devido à incerteza da relação futura entre UE e Reino Unido. As exportações deverão manter-se como um entrave ao crescimento, com a débil procura externa a travar o crescimento das exportações, enquanto a resiliente procura interna sustenta o crescimento das importações”, analisa Bruxelas para justificar essa revisão em alta.

Quanto ao défice público, o executivo comunitário indica que uma alteração da metodologia e dos dados oficiais conduziu a uma revisão em alta deste indicador desde 2000, com a consequente subida dos dados de 2017-2018 (de 2,1% do PIB para 2,7%) e de 2018-2019 (de 1,2% para 1,9%).

“Após vários anos de contenção orçamental e de um saldo orçamental crescente, uma deterioração da situação fiscal é esperada em 2019-2020. Espera-se que o défice geral do Governo suba para 2,2% do PIB em 2019-2020 e para 2,4% em 2020-2021, antes de cair ligeiramente para 2,3% em 2021-2022”, aponta Bruxelas, justificando esta evolução com os maiores gastos públicos, nomeadamente com o serviço nacional de saúde.

jornaleconomico.sapo.pt