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Pressionado a pedir novo referendo, Corbyn esclarece o que quer do Brexit

Após longos meses de indefinição, o secretário-geral do Partido Trabalhista esclareceu finalmente o que pretende do bloqueado processo da saída britânica da União Europeia.

 Jeremy Corbyn confirma que os deputados trabalhistas vão votar contra o tratado jurídico fechado entre Londres e Bruxelas sobre os termos do divórcio e o acordo que define os princípios base da relação futura (este sem caráter vinculativo) e insta a primeira-ministra Theresa May a negociar um novo compromisso com a UE.

A grande novidade resulta do facto de Corbyn ter revelado o que quer desse novo acordo, designadamente a constituição de uma união aduaneira que abranja a totalidade das relações comerciais entre o Reino Unido e a União.

"Aquilo que faremos é votar contra um cenário de não acordo, vamos votar contra o acordo de May. Acontecendo isso, devemos regressar a Bruxelas e renegociar uma união aduaneira, formar uma união aduaneira com a UE que proteja o comércio", defende Corbyn citado pelo The Guardian.

O líder trabalhista tem também defendido a realização de novas eleições gerais, considerando que Theresa May não dispõe da legitimidade necessária a prosseguir na chefia do Governo britânica. Corbyn já disse também que se fosse primeiro-ministro cumpriria o mandato resultante do referendo de 2016 e que passa por concretizar o Brexit.

Trabalhistas querem novo referendo

Este avanço de Jeremy Corbyn surge depois de esta terça-feira ter sido divulgada uma sondagem que mostrou que praticamente 90% dos membros do Partido Trabalhista votariam a favor da permanência do Reino Unido na UE caso fosse realizado um segundo referendo. O mesmo estudo de opinião refere que 72% dos trabalhistas querem que o seu líder defenda a realização de uma nova consulta popular.

Corbyn sublinha que qualquer cenário de novo referendo só poderá colocar-se uma vez chumbado na Câmara dos Comuns o acordo que May e a Comissão Europeia designam como o "único e melhor possível". O referido acordo deverá ser votado na semana que começa a 14 de Janeiro, sendo amplamente esperado o chumbo do acordo fechado no final do ano passado.

Se o acordo for chumbado e não for suspensa a concretização do Brexit prevista para as 23:00 do próximo dia 29 de março, a saída britânica da União dá-se de forma desordenada, sem que esteja prevista e legalmente enquadrada a relação entre os dois blocos económicos.

O acordo alcançado entre as partes prevê, enquanto solução para o principal obstáculo negocial, um 'backstop' para a fronteira irlandesa que se for ativado implica que a Irlanda do Norte tenha de continuar a cumprir as regras do mercado único europeu – e as respetivas quadro liberdades de circulação que Bruxelas considera indivisíveis (pessoas, bens, serviços e capitais) -, enquanto todo o Reino Unido ficaria integrado numa união aduaneira temporária a estabelecer.

Tal hipótese é rejeitada pelos elementos "hard brexiters" do Partido Conservador de May, que procuram um rompimento total dos laços que ligam Londres e Bruxelas, e pelos unionistas irlandeses que rejeiam uma solução que crie uma exceção para a Irlanda do Norte e de cujo apoio parlamentar depende o Governo dos "tories". Liberais, nacionalistas escoceses e, pelo menos, a grande maioria dos trabalhistas também enjeitam esta solução, embora por motivos distintos.

Depois de Theresa May ter saído do último Conselho Europeu sem uma garantia adicional com caráter vinculativo de que o mecanismo de salvaguarda para evitar o restabelecimento de uma fronteira rígida entre as duas Irlandas, a primeira-ministra garante estar em contacto com os parceiros europeus para obter novas garantias.

Por sua vez, Bruxelas insiste que essas garantias já foram dadas ao encarar-se o 'backstop' como solução a utilizar apenas em última instância.

jornaldenegocios.pt