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Brexit já custou mais de 2% do PIB ao Reino Unido, diz o UBS

O Reino Unido só abandonará oficialmente a União Europeia em Março do próximo ano, mas os efeitos dessa saída já se notam, dois anos após a votação. De acordo com uma análise do banco suíço UBS, a economia britânica está 2,1% abaixo do nível que estaria se os eleitores tivessem decidido manter-se na UE. A falta de acordo com Bruxelas e o adiamento da conclusão das negociações para Novembro não ajuda.

O estudo, publicado esta segunda-feira, revela ainda que a decisão de sair da União Europeia teve como consequência um nível de investimento 4% abaixo, inflação 1,5% acima e o consumo 1,7% abaixo do esperado num cenário em que o resultado tivesse sido outro. A comparação é feita com outros países não afectados pelo Brexit.

Ainda assim, nem tudo é negativo, principalmente se comparado com os cenários catastróficos traçados em Junho de 2016. O UBS considera que o Reino Unido evitou um cenário de recessão, apesar de estar a crescer a um ritmo mais baixo do que os seus parceiros. Para o banco o impulso que a economia mundial teve nos últimos dois meses ajudou a mascarar parte dos piores impactos do Brexit.

Contudo, esse 'custo' de 2,1% para a economia britânica é relevante. Segundo o UBS, esse montante corresponde a cerca de um terço dos custos estimados do Brexit, segundo as estimativas mais pessimistas, e quase a totalidade dos custos dos cenários mais optimistas. E "o Reino Unido ainda nem sequer saiu da União Europeia", assinala o analista do UBS, Pierre Lafourcade.

Este é o impacto do adiamento das decisões de investimento que decorre actualmente na economia britânica dada a incerteza do processo de saída. Além disso, houve também várias empresas a decidir mudar de sede ou a deslocar fábricas devido ao Brexit, prejudicando a evolução do PIB e do mercado de trabalho. Ainda recentemente um estudo do Bank of America estimava que os bancos centrais de todo o mundo podem desfazer-se de 100 mil milhões de libras se houver um 'hard' Brexit.

Esta terça-feira foram publicadas sondagens que tornam mais complicada a gestão deste processo por parte da primeira-ministra, Theresa May. Por um lado, um estudo citado pelo The Independent estima que 2,6 milhões de britânicos que votaram para sair preferem agora manter-se na UE. Por outro lado, uma sondagem junto do eleitorado dos conservadores considera o plano de saída de May negativo para o país, segundo o Telegraph. 

Faltam 206 dias para a histórica saída do Reino Unido da União Europeia. É o primeiro Estado-membro a fazê-lo.
 
 
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