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Portugal é o país da União Europeia com mais emigrantes em proporção da população residente

Em 2016 emigraram cem mil portugueses, revela o Relatório da Emigração 2016. Portugal continua a ser, em termos acumulados, o país da União Europeia com mais emigrantes em proporção da população residente.

Em 2016 manteve-se a tendência de descida da emigração portuguesa desde 2013, ano em que a saída de portugueses do país atingiu o seu valor máximo deste século: cerca de 120 emigrantes.
Mas, mesmo assim, os números podem ser considerados elevados: em 2016 a emigração portuguesa esteve na ordem das 100 mil saídas.
É o que revela o Relatório da Emigração 2016, elaborado pelo Observatório da Emigração e recentemente apresentado no Ministério dos Negócios Estrangeiros, na presença do ministro titular da pasta, Augusto Santos Silva, e do secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro.
O documento aponta que a fase de declínio “ligeiro mas sistemático” da emigração portuguesa a partir de 2014 explica-se “pela retoma do crescimento económico em Portugal, expresso na revitalização do mercado de trabalho, com crescimento do emprego e descida do desemprego”.
Mas o relatório salienta que a emigração não reduziu com a mesma velocidade da recuperação económica.
O crescimento do número de saídas na fase anterior “traduziu-se na revitalização e criação de redes entre origem e destino que tornam hoje mais fácil e provável a escolha da emigração como trajetória de mobilidade, mesmo com incentivos económicos mais reduzidos”.
A comprová-lo estão os dois principais países ‘responsáveis’ pela redução do número de saídas de Portugal ocorrida em 2016: Angola e Reino Unido.
“Em 2016, com a acentuação da crise do petróleo em Angola e com a aprovação do Brexit no Reino Unido, a emigração para estes dois países teve a sua primeira queda desde a eclosão da segunda fase da crise económica em Portugal”, revela o documento.
Refira-se que o Reino Unido foi nos últimos anos o principal destino da emigração portuguesa, responsável por quase 30% das saídas.

2,3 milhões emigrados em 2015

A este fator acrescem, segundo o relatório, as desigualdades de oportunidades que existem, em geral, entre Portugal e os principais países de destino, tornando “improvável, nos próximos anos, uma redução do volume da emigração para níveis anteriores à crise, apesar da retoma do crescimento da economia portuguesa”.
Segundo as Nações Unidas, em 2015 haveria no mundo um pouco mais de 2,3 milhões de portugueses emigrados, isto é, de pessoas nascidas em Portugal a viver no estrangeiro.
Um número muito elevado, já que representa cerca de 22% da população residente no país naquele mesmo ano.
Os países da Europa representavam então 62% da emigração lusa, já que nelem residiam 1,4 milhões de portugueses – sobretudo nos países da União Europeia e da EFTA (Associação Europeia de Comércio Livre).
Os cerca de 100 mil portugueses que emigraram em 2016, apesar de representarem menos do que nos anos anteriores (até 2013), confirmam que ainda se emigra muito.
No relatório sublinha-se que se mantém “em níveis que, na história recente, só têm paralelo com os movimentos populacionais dos anos 60 e 70 do século XX”.

O país da Europa com mais emigrantes

Aquilo que se mantém igual aos anos anteriores é o facto de Portugal ser, em termos acumulados, o país da União Europeia com mais emigrantes em proporção da população residente – considerando apenas os países com mais de um milhão de habitantes.
Apresar da quebra no voluime de entrandas, o Reino Unido continua a ser o país para onde emigram mais portugueses: 30,5 mil em 2016.
Seguem-se, como principais destinos dos fluxos: a França, com mais de 18 mil em 2014; a Suíça, com 10,1 mil em 2016; a Alemanha, com 8,8 mil em 2016.
Fora da Europa, os principais países de destino da emigração portuguesa são africanos: Angola, com 3,9 mil em 2016 e Moçambique, com 1,4 mil em 2016).
“Em termos de fluxo, a falta de dados atualizados nada permite dizer sobre a emigração para o Brasil, que tem conhecido uma evolução negativa mais acentuada desde 2013”, lê-se no relatório.
Do ponto de vista dos países de destino, o impacto das entradas de portugueses foi mais elevado no Luxemburgo, onde estas entradas constituíram o segundo maior fluxo de novos imigrantes, na Suíça (quarto maior fluxo) e no Reino Unido (sétimo maior fluxo).

França e Brasil: onde vivem mais portugueses

Em termos de stock, a França continua a ser o país do mundo onde vive um maior número de emigrantes nascidos em Portugal: 615,573 em 2014.
A Suíça é o segundo país do mundo onde residem mais emigrantes portugueses, em número superior a 210 mil (216,378 em 2016).
Os outros países em que residem mais de 100 mil emigrantes portugueses são, por ordem decrescente, os EUA (148 mil, em 2016), Canadá (143 mil, em 2016), Brasil (138 mil, em 2010), Reino Unido (131 mil, em 2016), Alemanha (112 mil, em 2016) e Espanha (100 mil, em 2016).
Apesar de o Reino Unido continuar a ser, em termos de fluxo, o país de maior emigração, em termos de stock a sua posição desceu para a 6ª posição (em 2015 encontrava-se na 5ª), posicionando-se agora abaixo do Brasil, não por aumento de emigrantes para este país, mas sim por diminuição do número de portugueses a residir no Reino Unido.
Em termos relativos, no Luxemburgo os portugueses representavam 30% dos imigrantes (em 2011) e 12% da população total do país. No Brasil, tinham nascido em Portugal 23% dos imigrantes (em 2010). Os nascidos em Portugal residentes no estrangeiro eram cerca de 10% dos imigrantes em França (10.3%, em 2014), Cabo Verde (9%, em 2013) e Suíça (9%, em 2016). Os portugueses são a terceira nacionalidade mais numerosa entre a imigração na Suíça, tal como em França, e a primeira no Brasil e no Luxemburgo.

Emigração envelhecida

O perfil da emigração portuguesa mantém características de anos anteriores: encontra-se em envelhecimento e continua a ser “maioritariamente composta por ativos pouco qualificados, quando caracterizada em termos globais, já que existem diferenças significativas por país”.
Apesar da percentagem de portugueses emigrados com formação superior a residir nos países da OCDE praticamente ter duplicado, passando de 6% para 11%, entre 2001 e 2011
Aumento que acompanhou o crescimento do número de ativos com formação superior na população portuguesa a residir no país.
Nos últimos anos, porém, com o maior peso da emigração para o Reino Unido, é provável que o ritmo de qualificação da população emigrada tenha superado já o da população portuguesa residente no país.
Portugal tem um PIB per capita e um índice de desenvolvimento humano com valores claramente inferiores ao dos principais países de destino da emigração portuguesa, mas, por outro lado, tem índices superiores aos dos principais países de origem dos imigrantes que recebeu nos últimos 40 anos.
Mas “depois de a imigração ter superado a emigração durante quase três décadas, com início em 1974, voltaram os tempos de défice migratório, a partir de meados da primeira década do século em curso”, recorda o relatório de 2016.
Um indicador sintetiza bem as causas do recente predomínio da emigração sobre a imigração, apesar da recente descida da primeira e da ligeira recuperação da segunda: em 2016, Portugal apresentava uma taxa de desemprego mais elevada do que a observada tanto nos países de destino da emigração, como nos principais países de origem da imigração, à exceção do Brasil.
O salto, no espaço de um ano, de 6.8% para 11.5% na taxa de desemprego do Brasil, ao mesmo tempo que em Portugal se verificava uma descida de 12.4% para 11.1%, contribuirá, certamente, para explicar a retoma entretanto verificada da migração brasileira para Portugal.

Fonte:mundo portugues