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Sadiq Khan diz que Brexit com saída à bruta pode custar meio milhão de empregos

À falta de uma análise formal do Executivo de Theresa May, foi o presidente da câmara de Londres a encomendar um estudo sobre as várias formas que pode assumir a consumação da saída da União Europeia. A análise partiu com cinco modelos possíveis, com o pior dos cenários – uma saída à bruta, sem acordo de transição – a custar ao Reino Unido 482 mil empregos e até 53 mil milhões de euros até 2030.

Preocupado com a ausência de um estudo formal das equipas de Theresa May relativamente aos cenários que podem colocar-se aos britânicos na saída da União Europeia, o mayor de Londres, Sadiq Khan, avançou ele próprio para essa análise. E, numa altura em que falta definir quase tudo no futuro das relações entre Londres e Bruxelas, com o tempo de negociação a esgotar-se, os resultados são preocupantes.

O estudo encomendado ao grupo Cambridge Econometrics assentou em cinco modelos em análise. Contemplado o pior cenário do Brexit, um arranjo em que ficassem definidos apenas os termos da saída sem acordo de transição, este seria desastroso para o sector dos serviços no país, com consequências quase irreparáveis para a economia da próxima década. 

De acordo com o grupo de trabalho, quanto mais duro o Brexit, mais consequências negativas para o Reino Unido, em particular no sector dos serviços. O estudo surge numa altura em que a primeira-ministra Theres May continua a tentar impor os interesses britânicos aos negociadores de Bruxelas, tendo por vezes sido aventado um cenário de saída “unilateral”, sem qualquer apuramento negocial do modelo.As negociações deverão estar concluídas até ao outono deste ano.

Parecendo contudo afastada essa hipótese de sair à sua maneira, o que o estudo encomendado por Sadiq Khan vem recomendar é que Londres se coordene com as entidades comunitárias de forma a conseguir um acordo muito próximo do que foi a situação do Reino Unido enquanto era membro dos 28 (agora uma espécie de 27+1).

Em causa está a negociação da transição, ou seja, definir o território em que vai assentar a nova relação Londres-Bruxelas. Sadiq Khan mostra-se particularmente preocupado com o sector dos serviços.

“Esta nova análise mostra por que razão o governo deve agora alterar a sua abordagem e negociar um acordo que nos permita permanecer no mercado único e na união aduaneira”, sublinha o mayor de Londres.

O próprio presidente do Conselho Europeu, Donad Tusk, veio dizer há cerca de um mês que, apesar de muitos pensarem que estamos no período mais duro das negociações para o Brexit, a fase mais dura das negociações está ainda para vir. Tusk advertia no início de Dezembro que “romper é difícil, mas romper e construir uma nova relação ainda é mais difícil”.

Lamentando que “tanto tempo tenha sido gasto com a parte mais fácil” da negociação, o presidente do Conselho Europeu lembrou que, “para negociar o período de transição e o futuro temos agora menos de um ano”. Os prazos estabelecem que essa fase esteja concluída até ao outono.

É nestes escassos meses que Sadiq Khan espera uma saída suave com transição serena com essa união aduaneira e um acordo semelhante ao que – não pertencendo à Zona Euro, mantendo a sua moeda – Londres sempre teve com os restantes parceiros europeus da União Europeia.

Os argumentos do autarca londrino são os números da Cambridge Econometrics: a via dura, sem negociação, sem acordo, custará ao Reino Unido 482 mil empregos e perdas de 53 mil milhões de euros em investimento até 2030. Uma saída negociada, um Brexit Suave, não deixará no entanto de ter os seus custos: 120 mil empregos e 22,6 mil milhões perdidos nesse mesmo período.

Na cabeça de Khan estarão os números que apontam a Londres um rombo de 87 mil postos de trabalho e uma queda na economia da capital a rondar os dois por cento nesse período em análise que vai até 2030, o que leva o mayor a sugerir a possibilidade de, falhando um acordo do Reino Unido, Londres poder negociar um acordo próprio com Bruxelas.

“Se o Governo continuar a falhar nas negociações, estaremos a caminho de uma década perdida de menor crescimento e menor emprego (…) A análise conclui que quanto mais duro o Brexit, maior o impacto potencial sobre o emprego, o crescimento e os padrões de vida”, sublinha Sadiq Khan, que foi um defensor da permanência na UE, para defender essa hipótese de ser concedido a Londres o seu próprio acordo, em particular na manutenção das regras dos serviços bancários e financeiros.

rtp.pt